domingo, 27 de maio de 2012

Eu poderia falar sobre a cor do céu,
sobre a tarde ou sobre a miséria do mundo.
Mas hoje resolvi falar de você, de como
são belos seus olhos e graciosa a sua voz.
Acho que ainda não se deu conta,
mas você desperta em mim as sensações mais incríveis.
É como se eu fosse tomada por um jato de adrenalina
a cada vez que ouço a sua voz ou toco em sua mão...
Como se minha alma te reconhecesse e quisesse saltar
a cada vez que sua sublime presença se faz notar.

Lílian Terra

-

sábado, 26 de maio de 2012


"Há intelectuais tão incultos que só têm cultura acadêmica.
Há pessoas tão frágeis que só têm poder político.
Desacelere o passo, acalme-se.
Não engula os estímulos, como faz com a comida.
Dilate o tempo, retarde a percepção da morte.
Treine sua emoção pela arte de observar.
Deguste lentamente o mundo das imagens e dos sons."

Augusto Cury - O semeador de ideias.

Para o meu amigo Felipe, 
que me convenceu de que Augusto Cury não é autoajuda.

-

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Foto: Julie de Waroquier
O amor tem esse dom de distorcer nossa visão, de nos deixar irracionais 
e de nos fazer enxergar só aquilo que nosso desejo quer ver.
Por isso hoje eu não quero estar cega, não quero estar apaixonada.
Quero abrir meus olhos e ver a realidade, ainda que ela
não se pareça em nada com meus sonhos.

Lílian Terra

-

"Quem me dera que eu fosse o pó da estrada
E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm
E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio
E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro
E que ele me batesse e me estimasse...

Antes isso que ser o que atravessa a vida
Olhando para trás de si tendo pena..."

Fernando Pessoa

-

domingo, 13 de maio de 2012

Love me, and leave me not.

E me disseram para botar os pés no chão,
para ir devagar e não me envolver.
Como se fosse possível, desta forma,
evitar a dor de mais uma decepção.
Como se eu pudesse negar o amor,
e dizer para o meu coração não se apaixonar.

Quando você encontra alguém
que faz sua alma sorrir depois de tantas lágrimas;
quando esse alguém tem uns braços
que te envolvem no abraço mais doce do mundo
e quando o beijo dele faz seu corpo inteiro estremecer,
você não pensa em por os pés no chão.
 Você não quer o chão, você quer o céu aonde esse amor te leva
e prefere não pensar no que pode acontecer se um dia ele te deixar...

Lílian Terra

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Foto: Julie de Waroquier 
"Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba.
Atreve-se o tempo a colunas de mármore, quanto mais a corações de cera?
São as afeições como as vidas, que não há mais certo sinal de haverem
de durar pouco que terem durado muito. [...]
Por isso os antigos sabiamente pintaram o amor menino;
porque não há amor robusto que chegue a ser velho.
De todos os instrumentos com que o armou a natureza,
o desarma o tempo."

Trecho do "Sermão do Mandato", 
Padre Antônio Vieira; Brasil, século XVII.

-
Foto: Nils Jorgensen 
Eu te quero com a força de um raio
e com a serenidade de uma criança que dorme.
Com veias, carne e coração.
Te quero assim, e já não quero mais.
Te esqueço num canto qualquer,
e quando penso que já passou,
você me invade em um sonho,
em um pensamento que vagava,
e por um simples descuido, 
toma conta do meu ser.

Lílian Terra

-

terça-feira, 8 de maio de 2012

Foto: Joel Robison 

Eu sinto muito por você.
Por se privar do amor.
Por se ver cercado de pessoas e situações maravilhosas
e não se dar conta delas.
Por guardar seu coração, e deixá-lo ali,
à margem de qualquer sentimento que possa aprisioná-lo,
e por viver cada dia da sua vida como se não houvesse nada para construir,
como se não houvesse céu, nem jardim, nem alguém a te esperar.

Lílian Terra

-
 Hotel Toffolo

E vieram dizer-nos que não havia jantar.
Como se não houvesse outras fomes
e outros alimentos.

Como se a cidade não nos servisse o seu pão
de nuvens.

Não, hoteleiro, nosso repasto é interior
e só pretendemos a mesa.
Comeríamos a mesa, se no-lo ordenassem as Escrituras.
Tudo se come, tudo se comunica,
tudo, no coração, é ceia.

Carlos Drummond de Andrade

-

sábado, 5 de maio de 2012

 
Por que teimamos em filtrar, editar e formatar o pensamento antes que ele se torne palavra?
Por que não dizer o que vem à mente, pra que esse medo de errar?
E essa busca incansável pela perfeição, de que valerá?
Eu gosto do bruto, do transparente, do que se atreve, que se mostra!
Mostremos o que somos, doa a quem doer!
Que nossos olhos espelhem nossa essência, ainda que ela tenha várias formas, 
pois (ainda bem), ninguém é uma coisa só.
Que sejamos amados por nós e pelos outros.
Que amemos a nós e aos outros.
Que descubramos que a beleza não está naquilo que se vê, 
mas no que sentimos e que nossa alma reconhece e acaricia,
nos momentos doces, raros e inesquecíveis.
Que inesquecíveis sejamos, e que tenhamos a capacidade de amar e
enxergar no outro aquilo que ele tem de mais bonito, com os olhos puros da alma.

Lílian Terra

-

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Azul sobre amarelo, maravilha e roxo

"Desejo, como quem sente fome ou sede,
um caminho de areia margeado de boninas,
onde só cabem a bicicleta e seu dono.
Desejo com um fundo de saudade
de homem ficado órfão pequenino,
um regaço e o acalanto, a amorosa tenaz de uns dedos
para um forte carinho em minha nuca.
Brotam os matinhos depois da chuva,
brotam os desejos do corpo.
Na alma, o querer de um mundo tão pequeno
como o que tem nas mãos o Menino Jesus de Praga."

Adélia Prado

-

Páginas