domingo, 19 de maio de 2013

"Há um grande cansaço na alma do meu coração. 
Entristece-me quem eu nunca fui, 
e não sei que espécie de saudades é a lembrança que tenho dele. 
Caí contra as esperanças e as certezas, 
com os poentes todos."

Fernando Pessoa em "Livro do desassossego".

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O amor se fez poesia
pra entrar no coração 
de quem antes
não sorria.

Lílian

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domingo, 12 de maio de 2013

Saudade antiga


A saudade faz arte,
pinta,
borda,
me acorda
no meio do sonho

pra brincar de poesia
com minhas lembranças
mais bonitas
e pra girar feito
bailarina
no chão infinito
do meu amor.

Minha saudade 
tem nome,
tem voz,
tem cor.

Tem uma dorzinha
que desbaratina
na confusão
do meu interior.

Lílian Terra

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sábado, 11 de maio de 2013

Ela já não sabe mais
quantas vezes chorou de saudade.
E quis ligar, quis escrever,
mas teve medo.
Não se sabia amada.
Amava, apenas.
Mas o outro estava
terrivelmente distante.
Pálido.
Frio.
Indecifrável.
E ela só queria uma resposta
que a livrasse da angústia
que vem do não saber.

Lílian

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sábado, 4 de maio de 2013

Elegia 1938


"Trabalhas sem alegria para um mundo caduco, 
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.
Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.
Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.
Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.
Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan."

Drummond

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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Eu, poesia concreta

Artista: Jurgen Gorg
Fez-se menino 
meu olhar submergido pela magia dos teus.
E meus lábios,
poesia concreta que eu escreveria
com um simples toque em tua boca.

Era calmo e macio aquele instante,
e era o único que eu possuía.
Deturpando minha insegurança,
me fiz poema em teus braços,
e naquele momento o mundo deixou de existir.

O mundo era o teu colo.

Lílian Terra



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