quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Grande Calvin!


O seu santo nome

Obra: The Muse ar Sunrise 1912, Alphonse Osbert
"Não facilite com a palavra amor.
Não a jogue no espaço, bolha de sabão.
Não se inebrie com o seu engalanado som.
Não a empregue sem razão acima de toda a razão (e é raro).
Não brinque, não experimente, não cometa a loucura sem remissão
de espalhar aos quatro ventos do mundo esta palavra
que é toda sigilo e nudez, perfeição e exílio na Terra.
Não a pronuncie."

de Drummond, meu preferido.

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

As palavras borbulham 
em minha cabeça;
se desinquietam,
se entrelaçam,
formam versos.

E ao saírem pela 
minha boca
se enrolam, silenciam,
se esvão.

Mas no papel 
se realinham,
brincam, salpicam
em poesia destrambelhada.

As palavras são armas,
o silêncio é meu escudo.


Lílian Terra

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sábado, 13 de outubro de 2012


E em seu colo eu pude despejar
toda a carga dos meus 
sentimentos perturbados,
e descobri em você
tudo o que falta em mim.
Ainda que sejamos assim,
tão diferentes.

Peças iguais não se encaixam!


Lílian Terra

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Trovador Solitário


27/03/1960 - 11/10/1996


"E há tempos 
nem os santos têm ao certo 
a medida da maldade.
Há tempos 
são os jovens que adoecem. 
Há tempos 
o encanto está ausente, 
e há ferrugem nos sorrisos, 
e só o acaso estende os braços 
a quem procura abrigo e proteção."


Há tempos - Renato Russo


domingo, 7 de outubro de 2012

sábado, 6 de outubro de 2012

Quando o cotidiano me sufoca,
eu posso me fechar num canto qualquer
e me encontrar na solidão do meu eu.
As lágrimas que comprimem meu ser
me fazem levantar mais forte
e desembaçam a minha visão.
A poesia me faz enxergar
o que ninguém mais pode ver,
e a dor, que tanto me distrai,
é inerente a quem tem a sensibilidade assim,
tão aflorada.

Lílian Terra

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sábado, 29 de setembro de 2012

Céu.
Algo como
o
Céu.
Acima de
mim
o Céu:
aquele que
não tem tamanho.

Lílian

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Uma dor chamada saudade

Teu silêncio ainda me toca.
E as lembranças, 
todas estocadas na memória,
me lambuzam de uma saudade 
inumanamente desesperada.

Será o tempo capaz de me recompor?
Será a vida, tão cruel a ponto de me fazer
lembrar de você a cada mísero segundo do meu dia?
Serei eu, tão forte a ponto de negar-te
sempre que se dirigires a mim?
Será a labuta da espera consumida
pelo prazer da chegada?


Lílian Terra

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segunda-feira, 24 de setembro de 2012

...

"Vou levando assim
que o acaso é amigo do meu coração

quando fala comigo,
quando eu sei ouvir..."

Rodrigo Amarante - O velho e o moço

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sábado, 22 de setembro de 2012

Seja bem vinda, PRIMAVERA!

Ilustração: Evgenija Gapchinskaja

Como pode alguém dormir sem sonhos e conseguir acordar?
Ver o sol num céu azul e não se alegrar?
Ouvir uma bela canção e não se apaixonar?


Lílian 
19.12.09


sábado, 15 de setembro de 2012

Soneto do Amor Maior

"Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere 
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo."

Vinícius de Moraes


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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

(i)mundo

E à tristeza, velha companheira,
Diga que fui ali, e não volto.
Diga que hoje o céu está azul,
e à noite haverá estrelas.

Quero despir-me dos velhos conceitos
e dos sentimentos amontoados de frustrações.
Quero um tempo pra ter tempo
de ficar olhando o tempo...

Quero parar diante da inexatidão 
que há no ser e no mundo
e da pequenez do ser no mundo
mundo
mudo
imundo.

Lílian Terra

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sábado, 18 de agosto de 2012

Só pra lembrar

E todas as nossas lembranças, carrego comigo.
É um fardo, e ao mesmo tempo
o Paraíso.

Lílian

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Drummond: 25 anos de partida

"A morte emendou a gramática. Morreram Carlos Drummond. Não era um só. Eram tantos. Mas quem disse que Drummond morreu? E que ironia!  Alguém tão cético provando que há vida após a morte! [...] Sua vida está em seus versos. E o hábito de sofrer, que tanto me diverte / é doce herança itabirana. " Retirado do site: drummond.memoriaviva.com.br


Os ombros suportam o mundo
"Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram.
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.


Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.


Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança.
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossege
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação."


Carlos Drummond de Andrade

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